Hoje passei pela quarta vez pelo mesmo rato morto na rua. É caminho a pé, e como sempre desatenta, olho para o chão e sempre tenho a mesma reação de espanto, nojo e desvio, uma vez o desvio me conduziu a outro rato morto (que só vi aquela vez). Desagradável um defunto no meio do caminho, sem nem lugar de descanso, a beira da calçada do lado de um grande terreno baldio.
Esses encontros são comuns para quem vive no mundo da lua, com um par de fones de ouvido. Caso tivesse mais orgulho, andaria com a cabeça erguida, mas daí pisaria no estropiado, como sempre piso em dejectos.
No centro da cidade - um passo após o outro, quase sempre com um empurrão de pessoas, que não sei como possível com mais pressa que eu. Perco me, ando em linhas tortas de mais.
Por isso, prefiro caminhar em lugares mais vazios, por minha vizinhança, que tem lá seus galpões com operários, mas pelo caminho só encontro um resto do que foi um roedor, ou melhor, só percebo a presença dele. Os trabalhadores cansados e explorados, eu olho, quem sabe sorrio. Mas quem teve seu destino mais triste? O ratinho
que morreu, provavelmente, enveneno em um de suas aventuras, ou o trabalhador preso aos horários rígidos, a rotina desgastante, ao meio dia deprimente? Acabar na sarjeta? Ou passar a vida toda com medo dela?
Não quero ser um rato roto, ou um fabricador dolorido.
Quero ser eu mesma, neste mundo sofrido, colorido e divertido, que escreve sobre ratos mortos, caminhos tortos, desagradáveis encontros, de um cotidiano ainda simples, desta vida que pra tanta gente é triste.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
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