quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Emoção na curva!


Tenho que comentar sobre o teatro BAILEI NA CURVA, que assisti nas férias, sensacional!
que valeu muito a pena, por ser um teatro que te prende, te faz pensar, te faz (praticamente todo tempo durante as duas horas)gargalhar e também pode te faz chorar!

O nome remete a expressão usada na época da ditadura militar, para falar da pessoas que haviam morrido (bailado na curva). Essa peça que já tem 25 anos, conta com 48 personagens, interpretados por oito atores, quatro homens e quatro mulheres, e é uma das mais famosas do teatro gaúcho. Mostra com muito humor a vida e tarjetória de 7 crianças, desde o golpe militar de 64 até o movimento diretas em 84. A peça, que causa choros de tanto rir, ao fim causa um choro de tristeza, emoção, indiganação, por todas vidas perdidas nesses difíceis anos de repressão, e também orgulho de todos esses que lutaram por seus idéais.

Acaba com a leitura desse texto, pela personagem Ana que vira jornalista, e conta a história de seu amigo de infância Pedro.
"Meu amigo Pedro era uma pedra na vida deles
Como um pedaço solto de coragem
Nem bem crescido ainda
Saiu, lutou e morreu
Morreu assim como um corpo arrebentado
Esticado, dividido
Morreu como um afogado, agonizando, torturado
Morreu como seu pai, desaparecido
Mas ninguém esperava que ele fosse re-viver
Ninguém esperava que ele fosse mais que aquele monte de carne e osso
Que sobrou depois de dois dias nas salas escuras
Depois de dois dias de choques, água fria, paulada, perguntas
Ninguém esperava que Pedro fosse de pedra
Que pedra pode estar parada, inerte
Mas pode ser pedra no ar, arremesso, tiro, vidro estilhaçado
Que pedra pode ser raiva na multidão
Pode ser fogo, fome, febre
Pedra pode ser mais
Que carne é mais que pedra
E Pedro é mais que carne
Que não adianta represar os rios se não se pode parar a chuva
Ninguém esperava que seus amigos, irmãos, todos
Todos soubessem de tudo
Mas que ninguém podia fazer nada
Que a diferença entre Pedro e nós
É a mesma de um assaltante de bancos e um batedor de carteiras
Mas o tempo é o melhor dos remédios
E o tempo tudo cura
Mesmo as feridas deixadas por Pedro
Menos as que em seu corpo permaneceram
Depois que ele ficou ali num canto da sala, agonizando
Enquanto seus algozes riam e tomavam café
Mas o que eu quero dizer
É que ninguém esperava que eu- justamente eu - filha da mesma noite
Contasse essa história"

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